Meu pai é um tarado!

Eu tenho certeza que meu pai é um desses caras que ficam mostrando o pênis na webcam. Ele tem um notebook, que é protegido a todo custo: nele ninguém encosta! Antes de comprá-lo, ele mal deixava minha mãe mexer no computador da família. Em um piscar de olhos, ele comprou um computador para mim e outro para minha mãe. Assim, ele ficou com um só para ele.

Já fucei no histórico do navegador dele e, é claro, encontrei uma lista de sites pornográficos. Quando era mais nova, lembro-me de não entender o que ele fazia trancado no quarto, quando minha mãe não estava em casa. Eu batia na porta e ele demorava muito tempo para abrir. Ao entrar, eu sentia um cheiro esquisito que, hoje, sei que algo sexual estava acontecendo lá dentro.

Sinceramente, acho que ele é doente por sexo. Atualmente, ele desistiu de trabalhar. Está com uma idéia de que tem que trabalhar em casa. Além disso, ele já teve diversas amantes. Eu e minha mãe já descobrimos alguns casos: de mulher casada a rolos de internet. Já vi vários emails e contatos de MSN de mulheres no computador dele.

Eu não sei o que fazer… Meu pai perdeu a vida social. Vive o dia todo no computador. O dia todo, literalmente! Não dá mais atenção para minha mãe, sempre com a desculpa de que tem que trabalhar.

Ajudem-me! Por onde começo? Um psiquiatra?

Todos acham que ele é normal, pois é o que ele aparenta. No entanto, nós que experimentamos o dia-a-dia com ele sabemos que não é bem assim…

Meu pai é um tarado

Respostas Equipe Confabulemos


hcCaríssima,

É uma situação bastante delicada, essa. Quero deixar claro que não aprovo invasões de privacidade em geral, como você tão delicadamente confessou. Acho que cada um tem o direito de um tempo seu, de uma gozadinha solitária de quando em vez; o treino é saudável, e nem sempre um cidadão pode – ou quer – contar com a ajuda do cônjuge para alcançar a petite mort. Que atire a primeira pedra quem nunca viu putaria nenhuma, seja na internet, nas revistinhas, nas locadoras, na rua, na chuva ou na fazenda. E francamente, você não deveria interferir na relação – especialmente a parte, digamos, carnal – dos seus pais, a não ser que (e eu espero sinceramente que não) você esteja envolvida. Caso contrário, deixe-os resolver seus próprios problemas.

Espero que você tenha certeza sobre o que contou; pense muito bem, reflita bastante e veja se não é só uma tempestade em um copo d’água. Se não for…

(Isso tudo dito, desdigo tudo isso.)

Porém, pela maneira como você coloca as coisas, seu pai parece realmente ter chegado a um nível bastante preocupante de onanismo crônico-virtual, a ponto de abandonar as relações humano-familiares em troca de espasmos musculares diante de uma caixa luminosa. Nesse caso, e apenas nesse, devo conceder, seus métodos até que se justificam, mas apenas como um caminho de obter inteligência e confirmar o problema. O vício dele, como os vícios costumeiramente fazem, o impede de enxergar um palmo adiante do nariz, a distância exata até o monitor e o mouse.

Veja, não é o computador o responsável por isso. O inocente aparelho é apenas o meio para ele alcançar o alívio que procura. Em sua ânsia por orar a Onã, o deus do alívio pélvico e dos hormônios descontrolados, ele simplesmente não vai reconhecer o vício. Sim, caríssima, veja bem, como um viciado em aspirinas, jogo, álcool, crack ou Farinha Láctea Nestlé, ele vai se recusar a admitir que tem um problema.

Não consigo antever uma saída fácil para esse imbróglio, minha cara. Infelizmente, vai ter que machucar antes de melhorar. Vocês não podem ignorar isso, fingir que a situação não existe. Ninguém vive o dia inteiro de punhetas em um quarto escuro. Vocês vão ter que confrontá-lo, de um jeito ou de outro. Não acho que, em um primeiro momento, seja necessária uma intervenção psiquiátrica; isso é uma medida drástica demais, e um tanto dramática, dada a situação. Não creio que haja necessidade de seis enfermeiros parrudos arrancando-o do quarto, enquanto ele se debate e arranha as paredes tentando oferecer outro sacrifício a Onã, o deus da lascívia solitária.

Sugiro um confronto mais “amigável”, se é que isso existe. Uma conversa aberta, sem acusações. Perguntem a ele o que é que está acontecendo. Se ele negar qualquer problema, seja direta em relação às suspeitas de vício sexual. Tente, porém, evitar usar sua pequena investigação no histórico dele como argumento.

Se ele ainda assim negar, confronte-o com suas descobertas, sem muitos detalhes. Diga-lhe apenas que sabe. Deixe ele falar, e depois peça a ele que ouça. Então fale, caríssima, explique que a situação está insustentável, que vocês estão preocupadas. Explique que a família está ameaçada pelo exercício a cinco dedos dele, que os casos (virtuais ou não) estão acabando com o casamento. Só depois disso é que vem o passo da ajuda profissional.

Em última análise, a escolha é dele. Se ele quiser mudar, vai fazê-lo. Se não quiser, não tem santo, psiquiatra ou simpatia no mundo forte o suficiente para forçá-lo a isso. A você, caríssima, cabe mostrar a ele que vale a pena.

Espero que ele escolha certo.

Cordialmente,

hc


Ayn RandAmiga,

A primeira coisa que tenho a dizer é: cuidado! Pense bem se seu pai realmente tem um problema ou se você apenas não vai com a cara de um hobby que ele tem. Qual o problema em mostrar o pinto na internet ou ver pornografia? Desde que ele não esteja aliciando criancinhas inocentes, apenas alguns conservadores inescrupulosos seriam capazes de achar problema nisso. No entanto, não acredito que esse seja o caso. A maneira como você conta a história é um pouco preocupante. De qualquer forma, vale parar para pensar se você não exagerou coisas em sua mente ou distorceu um pedaço da história. Embora seja provável que suas suspeitas estejam certas, esse exercício é bom: pense com honestidade.

Quando, então, uma pessoa passa da safadeza saudável para a insalubre? A partir do momento que esse hábito passa a atrapalhar a vida do praticante ou daqueles que o cercam, deve-se ficar alerta. Qual é o caso do seu pai? Se ele apenas atrapalha você e sua mãe, mas está de bem com ele mesmo, que justificativa você teria para tentar mudá-lo ou “curá-lo”? Não acha um pouco egoísta? Nesse caso a solução simples, porém difícil, é vocês mudarem. Sua mãe se afasta e procura outro companheiro. Você, no papel de filha, em tese, não pode se afastar. Deveria, portanto, procurar entender seu pai e aceitar algo que faz bem a ele, embora não pareça muito bonito. Parece, todavia, que esse não seja o caso do seu pai. Estou apenas exercitando as possibilidades com você. Como já disse, pare pra pensar, apenas para minimizar as chances de erro de julgamento.

Parece-me que já pensamos bastante, espero! Assim, parece razoável assumir que os hábitos do seu pai, além de atrapalharem aqueles que o cercam, também atrapalham a vida dele. Sem dúvida alguma, você tem que agir. Ele tem um vício: toda vida dele está girando em torno de sexo. Se já abandonou o trabalho, assumo que a coisa esteja avançada – caso contrário, um bom psicólogo deve ser capaz de lidar com o problema. É amiga, você tem um problemão nas mãos. Falo por experiência própria. Também tenho um pai com sérios problemas com vício – não com sexo, entretanto. Honestamente, seria melhor que nossos pais tivessem problemas com drogas ou algo do tipo. Por quê? Os vícios de nossos pais são muito sutis aos olhos das pessoas aqui fora. Não é possível perceber e, na maioria das vezes, acreditar. É como você disse: “ele aparenta ser normal”. Se o vício dele fosse uma droga, por exemplo, as consequências estariam escarradas na feição dele. Assim, seria muito mais fácil mover esforços para ajudá-lo.

O vício de nossos pais é muito perigoso, pois cria uma barreira à ajuda. Se você for muito dura com seu pai, é certo que o mundo inteiro irá te massacrar, pois como poderia você estar “castigando” uma pessoa daquela, que não tem problema nenhum? Pra piorar, a maioria dos viciados desenvolve uma inteligência especial para conseguir suprir suas necessidades. Um drogado vai conseguir droga, mentindo, manipulando e roubando até que a droga queime seu cérebro e ele seja incapaz de executar tais proezas. No caso de seu pai, o sexo nunca irá derreter o cérebro dele. Com o tempo ele apenas se aperfeiçoará na arte de mentir e manipular pessoas para sustentar o vício. Surpresa: em breve, ele será mais capaz de convencer os outros que ele é normal do que você será capaz de fazer o mundo acreditar que ele tem um problema. Não deixe chegar a esse ponto. Com ajuda dos familiares e amigos, é sempre mais fácil lidar com esse tipo de situação. É FODA lutar quando ninguém acredita no problema – principalmente o restante da família.

Você precisará de força. A fórmula básica para curar um viciado é afastá-lo do vício tempo suficiente para aniquilar aquelas necessidades do cérebro. Assim, ele poderá viver normalmente. Claro, não é apenas sumir com a necessidade insana, mas também criar barreiras mentais para que aquilo não volte a acontecer.

É importante saber que levamos muito menos tempo para aprender uma coisa do que para desaprendê-la. Imagine um aprendizado que esteja entranhado em você, como ler, por exemplo. Você, com um ano de primário, já aprende a ler quase tudo. Quanto tempo afastada da leitura e quanta lavagem cerebral seriam necessários para fazê-la desaprender a ler? Assim, acredito que o tempo para se curar um viciado em fase avançada seja muito longo. Seu pai tem que se afastar dos estímulos que o remetam ao vício. Ou seja, ficar longe de computadores, mulheres, revistas, pornografia e etc… Essas coisas só reforçam o mau comportamento.

Internação é sempre uma boa idéia, pois você o isola desses estímulos a força. Saiba que é muito provável que ele não concorde em se internar, pois ele se julga normal – lembre-se que ele é até capaz de convencer os outros de que é normal. Apesar disso, tente convencê-lo a se tratar, internar, procurar um psiquiatra e etc. Se ele concordar, maravilha! Se não, acho que há outro caminho. Caso ele esteja em estágio avançado do vício, como já assumimos, ele certamente está experimentando uma série de problemas na vida pessoal. Dessa maneira, a conversa pode fluir da seguinte maneira:

– Pai, o senhor largou o emprego e passa muito tempo em casa. As coisas estão se complicando e sei que está sentindo a pressão da vida. Sei que está com muitos problemas e de cabeça quente. Que tal tirar umas férias? Eu vou com o senhor. Vamos para longe, relaxar e ficar longe dos problemas; dar um tempo para que eles sumam. O tempo cura muita coisa. No entanto, é preciso dar tempo! Vamos para um Spa ou para um fazenda, passar uns meses!

Acho que essa abordagem tira a conotação de “você é um doente e precisa se tratar” e traz uma idéia de “vamos relaxar”. É, portanto, algo mais agradável e plausível à mente do viciado. A idéia é que nesse tempo, longe dos estímulos, você seja capaz de conscientizá-lo do problema que ele tem. Acredito que após algum tempo longe de tudo, o vício possa adormecer um pouco, e, então, a consciência aflora. Apenas nessas horas é que ele te ouvirá de verdade. Aí é que você deve tentar convencê-lo a buscar tratamento e etc. É muito provável que consiga.

Pense comigo, qual a pessoa tem maior chance de cura: alguém cujo vício domina a vida e é internado praticamente contra a vontade, ou alguém que, em um momento de descanso do vício, conseguiu se conscientizar do próprio problema e passou a encarar um tratamento não como uma punição, mas como uma oportunidade para se tornar uma pessoa melhor?

Boa Sorte!

Bjos

Ayn


Big FishOlá caríssima,

Vi que você assumiu a responsabilidade pelo problema, provavelmente por ele estar lhe incomodando bastante. Mas vamos por partes, e sugiro que você tome um outro caminho para tentar mostrar para seu pai o seu ponto-de-vista, já que o limiar entre “Homem” e “Doente por sexo” é pouco claro.

Você já conseguiu deixar claro, pela sua história, que possui evidências o suficiente para afirmar que este comportamento de seu pai começou a afetá-lo diretamente, não só na sua vida dentro de casa, mas também seu convívio social externo.

Até o fato dele visitar sites pornográficos, se masturbar, mostrar o pênis na câmera (teoricamente) ou paquerar outras mulheres via MSN, acredito que não indique necessariamente algum problema. Se você fuçar direito o computador de qualquer homem, é muito provável que vá encontrar algum tipo de material de cunho pornográfico, sejam sites, vídeos, históricos de bate-papo ou contos.

Mas quando isso incluiu parar de trabalhar e criar a ilusão de que trabalhar em casa é uma saída (não que não seja possível), aí concordo que algo não está certo.

Antes disso tenho algumas perguntas importantes: seu pai está trabalhando? Está ganhando dinheiro? Pagando as contas? Pois se ele está, você terá dificuldade em provar (para ele mesmo) que ele está fazendo algo de errado. É normalmente muito mais fácil convencer alguém que não está indo bem em sua vida profissional, de que suas escolhas não estão adequadas, do que alguém que está colhendo os frutos destas escolhas.

Sendo assim, sugiro que você tome o caminho de, ao invés de falar que o que ele faz é errado, de mostrar a ele que as conseqüências de como ele tem vivido é que atingem as pessoas que ele gosta. Você disse que sua mãe já descobriu casos de amantes dele, mas você não falou nada sobre o que fizeram em relação a isso. Se o que você diz é verdade, e ele realmente não passa mais tempo com sua mãe, parece-me que é a hora de um diálogo, onde ela esclareça que este novo estilo de vida dele a preocupa, e que também ela defina limites, dizendo o que vai e o que não vai aceitar (traições ou falta de atenção).

Pode ser que apelando para este lado, você consiga evidenciar melhor o problema do que se fizer um julgamento direto.

 

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